Como funciona o simulador
A renda passiva com ações e fundos imobiliários vem dos proventos: dividendos e juros sobre capital próprio (JCP) das ações, rendimentos mensais dos FIIs. No Tesouro Direto, vem dos juros do título. A conta parte do yield, o rendimento de um ano dividido pelo preço:
Capital necessário = renda mensal × 12 ÷ yield líquido
Quantidade = capital ÷ cotação, arredondada para cima
Para ter R$ 1.000 por mês num FII que paga 12% ao ano, isento de imposto: 1.000 × 12 ÷ 0,12 = R$ 100.000. Com a cota a R$ 100, são 1.000 cotas.
Um yield mais próximo da realidade
O dividend yield dos últimos 12 meses pode enganar: um dividendo extraordinário infla o número, e um corte recente ainda não aparece nele. Por isso, nas páginas das ações e dos FIIs, o simulador abre com três opções:
- Últimos 12 meses: os proventos do último ano ÷ a cotação de hoje.
- Média mais longa: para ações, a média do dividend yield dos últimos 5 anos (proventos de cada ano ÷ valor de mercado no fim do ano, pelas demonstrações da CVM); para FIIs, os rendimentos dos últimos 6 meses anualizados, que mostram se o fundo cortou o rendimento.
- Conservador: o menor dos dois. É o padrão.
Digite o código no campo de ticker (PETR4, ITUB4, HGLG11) para o simulador trazer a cotação, os yields e a parte em JCP; dá para trocar de ativo, ou de tipo, na mesma tela.
Tesouro Direto e inflação
No Tesouro, o simulador usa a taxa de compra do título escolhido: no Prefixado, a própria taxa; no Tesouro Selic, a Selic mais o ágio; no IPCA+, a taxa real mais a inflação. Do rendimento saem o imposto de renda de 15% (aplicações de mais de 2 anos, Lei 11.033/2004, art. 1º) e a custódia da B3, de 0,20% ao ano.
Em seguida, a inflação é descontada (5,5% ao ano por padrão, editável). Renda fixa não cresce sozinha: quem gasta todo o rendimento de um prefixado vê a renda perder poder de compra a cada ano. Para manter a renda constante em valores de hoje, a parte do rendimento que só repõe a inflação precisa ficar aplicada:
Yield líquido acima da inflação = (1 + yield × 0,85 − 0,20%) ÷ (1 + inflação) − 1
Num prefixado a 13%: 13% × 0,85 = 11,05%, menos 0,20% = 10,85%; descontada a inflação de 5,5%, 1,1085 ÷ 1,055 − 1 = 5,07%. Para R$ 1.000 por mês: 12.000 ÷ 0,0507 = R$ 236.636, ou 236,64 títulos de R$ 1.000 (o Tesouro vende frações de 0,01 título).
Ações e FIIs ficam sem esse desconto: os proventos tendem a acompanhar o lucro das empresas e os aluguéis, que sobem com os preços.
Renda fixa e outros ativos
Para CDB, LCI, LCA, debêntures, CRI, CRA ou qualquer outro investimento, informe os valores à mão:
- Renda fixa: escolha a rentabilidade (pós-fixada em % do CDI, prefixada ou IPCA + taxa) e marque se o título é isento de IR (LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures incentivadas). Sem a isenção, a conta usa os 15% de IR das aplicações de mais de 2 anos. A inflação é descontada como no Tesouro. Um CDB prefixado a 12%: 12% × 0,85 = 10,2%; descontada a inflação de 5,5%, 1,102 ÷ 1,055 − 1 = 4,46%, e R$ 1.000 por mês pedem R$ 269.362. Numa LCI isenta à mesma taxa, 1,12 ÷ 1,055 − 1 = 6,16%, e bastam R$ 194.769.
- Outro ativo: informe o rendimento bruto ao ano e o imposto, e marque se a inflação deve ser descontada (para rendimentos que não acompanham os preços). O valor de cada unidade é opcional, só para saber quantas comprar.
No pós-fixado, a renda acompanha o CDI, que sobe e desce com a Selic. Até R$ 250 mil por CPF e instituição, CDB, LCI e LCA têm a garantia do FGC.
Margem de segurança
Ações e FIIs são renda variável: os proventos sobem e descem com o lucro da empresa e a vacância dos imóveis. A margem de segurança é opcional: marcando a caixa, ela desconta um percentual do yield antes da conta (20% por padrão):
Yield com margem = yield × (1 − margem)
No exemplo do FII, com margem de 20%: 12% × 0,80 = 9,6%, e o capital sobe para 12.000 ÷ 0,096 = R$ 125.000 (1.250 cotas). Se os rendimentos se mantiverem, essas cotas pagam R$ 1.250 por mês: a folga é o que protege a renda num ano ruim.
Imposto sobre os proventos
- JCP: 17,5% de imposto retido na fonte desde 1º de janeiro de 2026 (Lei 9.249/1995, art. 9º, § 2º, com a redação da Lei Complementar 224/2025; antes, 15%).
- Dividendos: isentos até R$ 50 mil por mês da mesma empresa; acima disso, 10% retidos sobre o total do mês (Lei 15.270/2025). O simulador considera os dividendos espalhados pelos 12 meses: empresa que paga concentrado, em duas ou três vezes por ano, passa do limite com uma renda menor. O imposto mínimo anual sobre altas rendas (acima de R$ 600 mil por ano) fica fora da conta.
- Rendimentos de FII: isentos para pessoa física quando o fundo tem cotas negociadas em bolsa e pelo menos 100 cotistas e o investidor tem menos de 10% das cotas (Lei 11.033/2004, art. 3º, com a redação da Lei 14.754/2023).
Numa ação que paga 40% dos proventos em JCP, o imposto médio é 0,4 × 17,5% = 7%. Com yield de 10%, sobram 9,3%: para R$ 1.000 por mês, 12.000 ÷ 0,093 = R$ 129.032.
Antes de investir
Concentrar a renda num único ativo aumenta o risco: um corte de proventos derruba a renda inteira. A conta mostra o tamanho do esforço, não uma recomendação de compra. Para comparar ativos, use o comparador de ações, FIIs e ETFs; para ver se o preço está alto em relação aos proventos, o preço-teto de Bazin; e para chegar ao capital com aportes mensais, o simulador de investimentos ou a calculadora de viver de renda.