O método Bazin
Décio Bazin, jornalista e investidor, defendia no livro Faça Fortuna com Ações, Antes que Seja Tarde (1992) comprar ações pelos dividendos que elas pagam. A regra dele era simples: só comprar uma ação se os proventos dos últimos 12 meses rendessem pelo menos 6% ao ano sobre o preço pago. O maior preço que atende a essa regra é o preço-teto.
Preço-teto = (dividendos + JCP por ação) ÷ dividend yield mínimo
- Dividendos por ação: a soma dos dividendos pagos por ação no período, em geral os últimos 12 meses;
- JCP por ação: a soma dos juros sobre capital próprio no mesmo período, pelo valor bruto (antes dos 15% de imposto retidos na fonte), para ficar comparável com os dividendos, que são isentos;
- Dividend yield mínimo: o retorno anual em proventos que você exige, em decimal. Os 6% de Bazin entram como 0,06.
Abaixo do preço-teto, os proventos rendem mais que o mínimo exigido; acima dele, menos.
Margem de segurança
Para ter uma folga contra um corte nos proventos, dá para aplicar um desconto sobre o preço-teto:
Preço-teto ajustado = preço-teto × (1 − margem de segurança)
A margem mexe só no preço-teto: os proventos e o dividend yield mínimo continuam os mesmos. Com a opção desligada, o preço-teto final é o original.
Exemplo calculado
Uma ação pagou R$ 1,50 de dividendos e R$ 0,90 de JCP por ação nos últimos 12 meses:
- Proventos: 1,50 + 0,90 = R$ 2,40 por ação;
- Preço-teto com 6%: 2,40 ÷ 0,06 = R$ 40,00;
- Com margem de segurança de 20%: 40 × (1 − 0,20) = R$ 32,00.
Se a ação está cotada a R$ 28,00:
- Dividend yield pela cotação: 2,40 ÷ 28 = 8,57%;
- Diferença: 32 − 28 = R$ 4,00 abaixo do preço-teto final;
- Margem sobre o preço-teto: 4 ÷ 32 = 12,5%. É quanto a cotação está abaixo do preço-teto, e não se confunde com a margem de segurança que você escolheu.
Exigindo 8% em vez de 6%, o preço-teto cai para 2,40 ÷ 0,08 = R$ 30,00: quanto maior o retorno exigido, menor o preço que você aceita pagar.
Como escolher as premissas
- Período: use os mesmos 12 meses para dividendos e JCP, e conte cada provento uma vez só. Somar um provento declarado num período com um pago no outro dobra o valor.
- Proventos extraordinários: um dividendo pontual (venda de um ativo, lucro de um ano atípico) infla o preço-teto. Bazin recomendava olhar o histórico de vários anos e desconfiar de pagamentos que não se repetem.
- Dividend yield mínimo: os 6% de Bazin foram pensados para o Brasil dos anos 1990. Muita gente compara com a renda fixa de hoje, como o Tesouro Direto ou o CDI dos indicadores de mercado, e exige mais quando os juros estão altos.
De onde tirar os dados
Nas páginas das ações há o preço-teto de Bazin de cada papel, já calculado com os proventos dos últimos 12 meses, pelas demonstrações financeiras enviadas à CVM, e com a cotação da B3. Nelas, os campos desta calculadora chegam preenchidos para você mudar o dividend yield e a margem.
Limites do método
O preço-teto de Bazin parte de proventos passados, que podem cair ou acabar. Ele não olha o crescimento da empresa, a dívida nem a capacidade de manter os pagamentos, e não serve para empresas que reinvestem o lucro em vez de distribuí-lo. Bazin mesmo combinava a regra dos 6% com dívida baixa e histórico de pagamento. Use o resultado como uma referência entre várias, ao lado do preço justo de Graham, que parte do lucro. Não é recomendação de compra ou venda.
Para saber quanto você precisa investir para viver dos proventos, use a calculadora de viver de renda.